Introdução à norma GB/T 3098.15-2014

A norma GB/T 3098.15-2014 especifica as propriedades mecânicas de porcas de aço inoxidável utilizadas em fixadores. Esta norma garante confiabilidade em diversas aplicações industriais, definindo requisitos para marcação, composição química, desempenho mecânico e ensaios. Ela se aplica a porcas fabricadas em aços inoxidáveis ​​austeníticos, martensíticos e ferríticos, abrangendo classes de desempenho adequadas para diferentes capacidades de carga e condições ambientais. A conformidade com esta norma garante que as porcas atendam a critérios rigorosos de resistência, resistência à corrosão e durabilidade, tornando-a essencial para engenheiros em projetos mecânicos e fabricação.

Marcação, identificação e acabamento de superfície

O sistema de marcação para porcas de aço inoxidável inclui o grupo do aço e a classe de desempenho, separados por um hífen. A primeira parte indica o grupo do aço (A para austenítico, C para martensítico, F para ferrítico), seguida por um número que denota a faixa de composição química. A segunda parte representa a classe de desempenho, expressa como 1/10 da tensão de prova em MPa para porcas com altura m ≥ 0,8D, ou com um zero à esquerda para porcas mais finas (0,5D ≤ m < 0,8D).

  • Exemplo: A2-70 – Aço austenítico, trabalhado a frio, tensão de prova mínima de 700 MPa (para porcas m ≥ 0,8D).
  • Exemplo: C4-70 – Aço martensítico, temperado e revenido, tensão de prova mínima de 700 MPa.
  • Exemplo: A2-035 – Aço austenítico, trabalhado a frio, tensão de prova mínima de 350 MPa (para porcas mais finas).

Os aços austeníticos de baixo carbono (C ≤ 0,03%) podem adicionar “L” (ex.: A4L-80). As superfícies passivadas conforme GB/T 5267.4 adicionam “P” (ex.: A4-80P). As porcas com diâmetro nominal D ≥ 5 mm devem ser marcadas claramente em uma das faces de apoio ou em um dos lados. A identificação do fabricante é obrigatória sempre que possível. A embalagem deve incluir as marcas do fabricante, o grupo do aço, a classe de desempenho e o número do lote, conforme GB/T 90.3. Salvo especificação em contrário, as porcas são limpas e polidas; a passivação é recomendada para maior resistência à corrosão.

Composição Química

A composição química dos aços inoxidáveis ​​para porcas está detalhada na Tabela 1, em conformidade com a norma GB/T 3098.6-2014. Os fabricantes selecionam as composições dentro dos grupos, salvo acordo em contrário. Para riscos de corrosão intergranular, recomenda-se o uso de aços A3/A5 estabilizados ou aços A2/A4 de baixo carbono (C ≤ 0,03%).

CategoriaGrupoComposição química (fração mássica)/%Notas
CSiMnPSNCrMoNiCuOutros
AusteníticoA10.1216.50.20.15~0.3516~190.75~101.75~2.25b, c, d
A20.1120.050.0315~20— e8~194f,g
A30.08120.0450.0317~19— e9~121h
A40.08120.0450.0316~18.52~310~154g,i
A50.08120.0450.0316~18.52~310.5~141oi
MartensíticoC10.09~0.15110.050.0311.5~141eu
C30.17~0.25110.040.0316~181.5~2.5
C40.08~0.1511.50.060.15~0.3512~140.61bi
FerríticoF10.12110.040.0315~18— j1k,l

Notas: a Valores máximos, salvo indicação em contrário. b O enxofre pode ser substituído por selênio. c Se Ni 8%, sem limite mínimo de Cu. e Mo opcional pelo fabricante. f Se Cr < 17%, mín. Ni = 12%. g Para C máx. = 0,03%, N máx. = 0,22%. h Ti ≥ 5 × C% a 0,8%, ou Nb/Ta ≥ 10 × C% a 1,0%. i Para diâmetros maiores, C mais elevado até 0,12% para austenítico. j Mo opcional. k Ti ≥ 5 × C% a 0,8%. l Nb/Ta ≥10×C% a 1,0%.

Essa composição garante ótima resistência à corrosão e resistência mecânica, com anexos que fornecem exemplos de normas ISO para aplicações especializadas.

Propriedades Mecânicas

As propriedades mecânicas devem atender às Tabelas 2 e 3 para aceitação, incluindo dureza (para C1, C3 e C4 temperados/revenidos) e testes de carga de prova. Nem todas as classes se aplicam a todas as porcas; consulte as normas do produto.

Tabela 2: Propriedades Mecânicas – Grupos de Aços Austeníticos

CategoriaGrupoGrau de desempenhoTensão de prova SP/MPa mín.
Nozes m≥0,8DNozes 0,5D≤m<0,8DNozes m≥0,8DNozes 0,5D≤m<0,8D
AusteníticoA1, A2, A3, A4, A550025500250
70035700350
80040800400

Tabela 3: Propriedades Mecânicas – Grupos de Aços Martensíticos e Ferríticos

CategoriaGrupoGrau de desempenhoTensão de prova SP/MPa mín.Dureza
Nozes m≥0,8DNozes 0,5D≤m<0,8DNozes m≥0,8DNozes 0,5D≤m<0,8DHBHRCHV
MartensíticoC150025500250147~209155~220
70700209~31420~34220~330
110 a055 a110055036~45350~440
C380040800400228~32321~35240~340
C450500147~209155~220
70035700350209~31420~34220~330
FerríticoF1 b45020450200128~209135~220
60030600300171~271180~285

a Temperado e revenido, revenido mínimo 275°C, D≤24 mm. b Amolecido.

Essas propriedades orientam a seleção para aplicações que exigem níveis específicos de resistência, levando em consideração o tratamento térmico e as dimensões da porca.

Métodos de teste

Os ensaios de dureza para aços martensíticos e ferríticos seguem as normas GB/T 231.1 (HB), GB/T 230.1 (HRC) ou GB/T 4340.1 (HV), com Vickers como referência. Os procedimentos estão alinhados com a norma GB/T 3098.2; os valores devem estar dentro dos intervalos da Tabela 3. Os ensaios de carga de prova, conforme a norma GB/T 3098.2, garantem a capacidade de suportar carga sem falhas.

  1. Realize o teste de dureza em superfícies preparadas.
  2. Aplique a carga de teste gradualmente e mantenha-a para verificar a integridade.
  3. Utilize equipamentos calibrados para garantir a precisão.

Esses métodos fornecem uma verificação confiável do desempenho das porcas em montagens reais.

Apêndices: Detalhes técnicos adicionais

Os apêndices oferecem informações detalhadas:

  • Apêndice B: Composição do aço inoxidável de acordo com a norma ISO 683-13, com exemplos para os tipos ferrítico, martensítico e austenítico.
  • Apêndice D: Materiais que reduzem a fissuração por corrosão sob tensão induzida por cloretos, por exemplo, X2CrNiMoN17-13-5 com composições específicas para ambientes de alto risco, como piscinas.
  • Apêndice E: Relações de resistência ao escoamento em altas temperaturas (ex.: A2/A4 a 400°C: 70%) e aplicabilidade em baixas temperaturas (A2/A3 até -200°C).
  • Apêndice G: Permeabilidade magnética relativa (ex.: A2 ≈ 1,8, não magnética no estado recozido em solução, mas pode se tornar magnética após trabalho a frio).

Consulte essas informações para aplicações especializadas, garantindo que a seleção de materiais minimize riscos como corrosão ou interferência magnética.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre porcas de aço inoxidável A2 e A4?
O aço A2 é um aço austenítico de uso geral com boa resistência à corrosão, enquanto o aço A4 inclui molibdênio para maior resistência em ambientes com cloretos, conforme a composição da Tabela 1.
Como faço para selecionar o nível de desempenho adequado para uma porca?
A escolha deve ser baseada nos requisitos de tensão de prova e na altura da porca; por exemplo, grau 70 para porcas de 700 MPa em m ≥ 0,8D, considerando as cargas de aplicação e as Tabelas 2/3.
Quais são os testes necessários para a aceitação de porcas de aço inoxidável?
Dureza para os grupos martensíticos/ferríticos e carga de prova para todos, conforme os métodos da seção 3, garantindo a conformidade com as propriedades mecânicas especificadas.
Essas porcas podem ser usadas em aplicações de alta temperatura?
Sim, mas consulte o Apêndice E para obter informações sobre a redução da resistência ao escoamento em temperaturas elevadas; por exemplo, o A2 mantém o valor 70% a 400 °C sob cargas não cíclicas.
Como mitigar a corrosão intergranular em porcas austeníticas?
Utilize variantes de baixo teor de carbono (por exemplo, A4L) ou A3/A5 estabilizado, testado de acordo com a norma GB/T 4334, conforme recomendado na seção de composição química.
Que tipo de marcação é necessária na embalagem?
Inclua o identificador do fabricante, o grupo de aço/grau de desempenho conforme a Figura 1 e o número do lote conforme GB/T 90.3 para rastreabilidade.